sexta-feira, 20 de abril de 2012

O vexame do Dr. Peluso















O ministro Cesar Peluso tem o direito de pensar como quiser e votar, sempre, de acordo com sua consciência no STF.

Mas não lhe fica bem, pouco antes de sua saída da presidência do Supremo, e às vésperas de sua aposentadoria compulsória, dizer como seus pares devam se portar.

O que ele fez ontem, atacando o ministro Joaquim Barbosa e a ministra Cármem Lúcia, do Conselho Nacional de Justiça, é algo de impensável para um magistrado.

E o que fez com a presidenta Dilma Rousseff, ao dizer que o Executivo era autoritário, imperial e que “não era republicano” é espantoso, quando parte do chefe de um dos poderes da República.

A impressão que fica é a de que Peluso guarda um insuperável ressentimento da negativa de Dilma de promover um aumento nas remunerações do Judiciário, a começar pelos ministros, o que desencadearia uma onda de reajustes, a começar pelo Legislativo.

Tudo repercutiu muito mal, embora os ofendidos pelo Dr. Peluso, sensatamente, tenham moderado a resposta. O máximo foi o “ele está se achando” com que Joaquim Barbosa comentou o episódio.
Porém, não satisfeito, o ministro Peluso volta á carga hoje, em outra entrevista, ao Valor.

Diz como os ministros devem trabalhar no julgamento do chamado “mensalão”, um processo com 38 réus e, portanto, 38 advogados de defesa, além do Ministério Público.

“No máximo, 20 dias (corridos) de julgamento”. “Temos que começar na segunda de manhã e terminar sexta à tarde”.

Mas, mero detalhe: o Dr. Peluso já não é mais, desde hoje, presidente do STF e, portanto, não lhe cade definir a dinâmica do julgamento.

E é curioso que, num tribunal que luta para colocar em dia sua pauta de julgamentos – agora mesmo se resolveu um caso que se arrastava desde 1953 – se queira abandonar toda a prestação jurisdicional que compete ao STF – mandados de segurança, habeas corpos, etc, além de todos os demais julgamentos – para atender a uma pressão política.

Porque é simplesmente falsa a alegação que se vem usando na mídia de que haveria prescrição das penas eventualmente impostas aos acusados.
Hoje, em O Globo, o advogado criminalista renato de Moraes, no artigo “O mito da prescrição” mostra que é absolutamente falsa a história de que as penas possíveis prescreverão nos próximos meses.

Os alegados crimes de corrupção – se não forem desqualificados pelo tribunal – prescrevem em 2023. A única possibilidade de pena por formação de quadrilha ainda não prescrita só o será em setembro de 2015.

Não é essa a raz~ão das pressões sobre – e partidas de dentro dele, também – para apressar um julgamento que, sem dúvida, iria e irá acontecer em prazo breve, dependendo dos votos do relator e do revisor.

Mas isso não basta para alguns: tem de ser sumário, apenas para constar. O Supremo tem de curvar-se a tarefa de, simplesmente, homologar, o que o Tribunal da Mídia decidiu.

Felizmente, a começar do Ministro Ayres Brito, o novo presidente, parece haver resistência a usar o Supremo como praça de linchamento.

PS. Depois de escrito o post, vejo que, segundo o Estadão, Peluso deixa STF sem tradicional homenagem. Como se vê, existem maneiras mais sutis e não menos eloquentes de mandar recados.
Postado por Fernando Brito

Serra dá “voto de confiança” a Perillo


Por Altamiro Borges

José Serra, candidato do PSDB à prefeitura paulistana, saiu em defesa ontem do governador tucano de Goiás, acusado por ligação com o esquema do mafioso Carlinhos Cachoeira. Segundo o jornal Estadão, o ex-governador paulista afirmou: “Sinceramente, eu dou meu voto de confiança ao Marconi Perillo e acho que ele está aberto a qualquer investigação”.



Serra devia ser mais contido com a sua “sinceridade”. Em 2010, ele também bajulou o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. O presidenciável tucano chegou a insinuar que o demo seria seu candidato à vice.
“Vote num careca e leve dois”, brincou. Pouco depois, vídeos mostraram Arruda embolsando propina e ele foi preso, acusado de chefiar o famoso “mensalão do DEM”.

Mafioso nomeia no governo de Goiás

No caso de Perillo, a situação também é complicada. O tucano, que se travestia de paladino da ética, está cada vez mais enrolado.
Segundo a Folha de hoje (18), “gravações feitas pela Polícia Federal mostram o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez (PSDB) discutindo com o empresário [sic] Carlinhos Cachoeira um encontro com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB)”.

Em alguns trechos, a escuta telefônica indica que a quadrilha de Cachoeira nomeou vários integrantes no governo de Goiás. “Nós vamos sentar, bater um papo, quero conversar com ele”, teria dito Marconi Perillo, segundo relato de Garcez a Cachoeira.
 “Excelente”, responde o bicheiro. A influência da máfia se daria, curiosamente, na área de segurança pública. A raposa cuidando do galinheiro!

"Como falar com Marconi"

Já o jornal O Globo, também desta quarta-feira, garante no título: “Demóstenes ajudava Cachoeira a fazer nomeações em Goiás”. Com base nos grampos legais da PF, a matéria revela que o mafioso “orientava os seus interlocutores a como falar com Marconi” e “flagraram conversas do contraventor sobre a ocupação de cargos” no governo goiano. Um trecho da escuta é demolidor:


No dia 5 de janeiro de 2011, Cachoeira estava em Miami, de onde conversa por telefone com Lenine Araújo de Souza, apontado como um dos seus contadores. O bicheiro é informado de que uma pessoa com o apelido de “Caolho” não iria mais assumir o “negócio”. O bicheiro se revolta e avisa que vai mandar Demóstenes falar com Marconi Perillo:


- Então, manda quem te falou falar com o Marconi, perguntar pro Marconi se ele (Caolho) vai ou não vai assumir. É especulação... Nego não sabe bosta nenhuma... Marconi, na hora que souber disso, vai ficar puto. Já mandei avisar a ele. O Demóstenes já está ligando pro Marconi — reagiu Cachoeira.

No mesmo diálogo, Cachoeira diz que Marconi terá problemas se Caolho não for nomeado:

- Eu imaginei que fosse, né, impressão de quem quer sentar na cadeira, né? — diz Lenine.

- É. Impressão, não, burro, né? Num sabe o que tá falando. Vai é cair a cara se eu num... O cara me indispôs com o Itamar. Falei pro Itamar, chegando lá agora, cê mede, mede força com ele, uai. Marconi vai ficar é puto.
Como é que chama o cara que o Marconi já tinha indicado, o cara, rapaz. O Demóstenes já ia ligar pra ele. “Oh, Marconi, cê tá é fodido se você não pôr esse cara, aí.” (...) Aí, o Marconi não vai colocar o cara, tá louco — afirmou Cachoeira.

Até agora, o governador tucano nega qualquer envolvimento com a quadrilha de Cachoeira. Em Curitiba, onde participou de um evento do PSDB, ele jurou de pé junto:
“Nunca recebi indicação dele para cargos, que em nosso governo são preenchidos por competência técnica”. Talvez a CPI do Cachoeira, finalmente protocolada, resolva esta pendenga. Serra vai perder mais algumas noites de sono!

A quem interessa desviar foco da CPI?


Por José Dirceu, em seu blog:Terminou como um tiro n'água toda a operação montada por uma parte da mídia para fazer crer que o PT e/ou o Governo estavam contra a CPI do Cachoeira. Com a assinatura de todos os integrantes das bancadas do PT na Câmara e no Senado no pedido de constituição da Comissão cai o pano dessa encenação feita por uma parte dos veículos de comunicação.

Mais do que isso, fica cada vez mais clara a tentativa de vender para a opinião pública que a CPI não interessava ao PT, quando é a oposição - DEM e PSDB à frente - que está no centro do escândalo Cachoeira, o ex-líder do Democratas no Senado, senador Demóstenes Torres (renunciou à liderança há duas semanas e há pouco mais de uma desfiliou-se do partido) e o governo tucano de Goiás.

Este, aliás, já perdeu três de seus mais altos integrantes na esteira do escândalo Cachoeira por estarem envolvidos até o pescoço no caso.

Por que a oposição e certa mídia estão aliadas neste caso?

Por uma uma razão muito simples: ambas temem a CPI, pelas relações (da oposição) com o crime organizado; e, de certa mídia, pela produção de matérias jornalísticas políticas com base em gravações e grampos ilegais feitos pela quadrilha que atuava em Goiás com cobertura já comprovada de políticos e governantes do Estado.

Mais canhestra, ainda, do que esta esdrúxula aliança oposição-certa mídia foi a tentativa dessa parte da imprensa de relacionar a CPI com o julgamento da ação penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF), o chamado mensalão.

Por que a aliança oposição-parte da mídia enveredou por aí? Para despistar e abafar o caso Demóstenes-Cachoeira que envolve DEM-PSDB-imprensa. Queriam promover uma operação abafasse o caso, que o levasse ao amortecimento, ou melhor, desaparecimento do escândalo nos jornais.

Matéria de Veja, um caso de polícia

Desviar o foco do escândalo, jogando um pseudo interesse do PT-governo em recuar na instalação da CPI interessava a eles, não a nós. Adotaram esse caminho quando surgiram as evidências de que a matéria sobre os Correios - a primeira, de 2004 - foi feita pela Veja a partir de escutas clandestinas e ilegais produzidas a quatro mãos pela quadrilha Cachoeira e pela revista.

Seguiram essa linha de que ao PT-governo interessava "esfriar" a CPI diante deste fato consumado. Aquela primeira matéria de Veja era um caso de polícia. Isto é um fato comprovado, não pode ser desconsiderado. Registrar, dizer e repetir isto não tem nada a ver com regulação da mídia, ou com liberdade de imprensa.

Tampouco invalida, questiona, ou constitui alguma tentativa de desviar foco da ação penal 470 do STF em relação ao processo a ser julgado pela Suprema Corte. Um julgamento que todos esperamos seja técnico, eminentemente jurídico, como diz o próprio futuro presidente do STF, ministro Carlos Ayres Brito.

Um julgamento jurídico e não político

"Para nós julgadores - disse ontem, à Folha, o futuro presidente do STF - o mensalão impressiona pela quantidade de réus, pelo número de páginas do processo, pelo número de testemunhas.
Mas, quanto ao nosso ânimo de fazer justiça, ele é um processo igual aos outros. O que nos cabe é perseverar na isenção, na imparcialidade, na análise objetiva das peças do processo, sem prejulgamentos."

Eu confio e espero que o julgamento não seja político, mas sobre os autos, como é da melhor tradição do STF.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Demóstenes continua a editar a Veja


Do blog Conversa Afiada:

O Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante Lenilton:

Veja: quem está alimentando o PIG
Nos últimos dias, o grande alimentador das matérias jornalísticas é o senador Demóstenes Torres. Ele, na condição de réu, passou a ter acesso às peças do inquérito Monte Carlo e, agora, vem vazando as informações que interessam a ele e a Cachoeira serem veiculadas pela imprensa amiga, do jeito que é conveniente a esta veicular.

Todo circo montado pela Globo em torno dos telefonemas de Protógenes e em torno da Delta visam unicamente a tirar Cachoeira, Demóstenes e Perillo do centro das discussões e chantagear os integrantes da CPI.

Como na Itália, antes da operação Mãos Limpas, a imprensa brasileira tornou-se hoje um monstrengo em que o partidarismo político casou-se com a criminalidade.

Ajudou a sepultar a Operação Satiagraha e a operação Castelo de Areia; fez de conta que não viu o livro Privataria tucana e, agora, quer sepultar a Operação Monte Carlo.

Assim, protege os seus aliados políticos e seus aliados criminosos, que, são ao mesmo tempo suas fontes e seus patrocinadores.

Jornalistas serão convocados pela CPI

 Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

Nenhum dos envolvidos com o bicheiro — ou, se preferirem, com o “empresário do ramo de jogos” — Carlinhos Cachoeira deve escapar da investigação da CPI que, tudo indica, será criada na semana que vem no Congresso para se debruçar sobre os desdobramentos da operação Monte Carlo, da Polícia Federal.



A opinião é do deputado Fernando Ferro (PT-PE), que foi o criador do famoso PIG, o Partido da Imprensa Golpista, para se referir a grupos de mídia que se engajaram em campanhas contra o governo do ex-presidente Lula, algumas delas baseadas em fiapos de informação, quando não em fantasias.

Sobre a ênfase dada nas últimas horas às suspeitas em torno do governador de Brasília, Agnelo Queiroz, do PT, o deputado negou que deva ser motivo para o partido desistir de investigar:

“Não, de forma alguma, é motivo para investigar e esclarecer. E nós não podemos aceitar acusações simplesmente como tentativa de desviar o foco, uma vez que o centro desta corrupção está no DEM, está aí nos setores da mídia que participou desse esquema de escândalo e faz parte da articulação do Cachoeira.
Se tiver alguém do PT envolvido nisso, na investigação vai aparecer. E aí não tem motivo para ter medo. Se tiver culpa eu sinto muito, a nossa posição tem de ser esclarecer, isso é em benefício da democracia, do próprio partido e da política limpa. Eu me recuso a aceitar acusações sem ter investigação, me recuso a não fazer a investigação, que aí é o pior dos mundos”.

Sobre a convocação de jornalistas ou de empresas jornalísticas:

“Eu acho que todos aqueles que tiverem vinculação ou qualquer contato que de alguma maneira o comprometa no processo de investigação da operação Monte Carlo, ele deve ser ouvido e trazer esclarecimentos.
É incompreensível que um jornalista tenha 200 ligações para Carlinhos Cachoeira e de repente ele vai dizer que não tem nada a ver com essa onda de acusações, de arapongagem, de denúncias e de envolvimento com esse crime organizado. Não teve nada…
Acho que tem que ter… obrigatoriamente esclarecer, até para o bem da autoridade jornalística e para a reputação deste orgão de imprensa mais do que ninguém deve ter interesse em esclarecer essas relações”.

Não há porque temer a CPI

Por Mauro Santayana


Nos meios políticos há o temor de que a investigação do Congresso sobre a Operação Montecarlo, desfechada pela Polícia Federal, sobre as relações do homem de múltiplos negócios de Goiás, conhecido como Carlos Cachoeira, com parlamentares, membros do poder executivo de Goiás e do Distrito Federal, venha a ampliar-se.
 
Há informações de que pode surgir o envolvimento de outras personalidades e de outros partidos políticos, em outras unidades da federação. A rede de influência do empresário de Goiás parece ser mais ampla do que a de Al Capone.

O comportamento da presidente da República inquieta alguns observadores. Uma investigação desse porte costuma assustar os chefes de governo, mais ainda em ano eleitoral. Tancredo Neves comparava esses inquéritos do parlamento à retirada de caranguejos dos jequis de pesca: eles sempre saem agarrados uns aos outros.
 
Sendo assim, mesmo que não temam a apuração das denúncias, os chefes de governo, em todas as esferas do Estado, buscam impedir essas comissões de inquérito, pela turbulência que sempre causam. Pois bem, até agora, a presidente da República não tomou qualquer iniciativa para dificultar as investigações, nem para incitá-las.

Uma visão mais republicana de sua atitude favorece-a: o poder executivo não deve imiscuir-se nos assuntos interna corporis do Parlamento. Uma visão mais particular, sabendo-se de seus atos anteriores, pode identificar o desejo de depurar o governo e o Estado, pelo menos durante o seu mandato, dos corruptos e corruptores. Ao esquivar-se de qualquer iniciativa no caso, ela preserva sua autoridade, principalmente em ano de eleições municipais.

É, mais do que possível, provável, que os temores se venham a justificar: nas teias do ativo empreendedor de Goiás, pelo que se sabe até o momento, há gente de toda espécie – de policiais a espiões particulares; de empresários de alta estirpe a meros assessores, além de jornalistas.

Será difícil emperrar a CPI, com adiamentos ou com manobras, como tem ocorrido a outras, em tempos recentes. Há algum tempo lembrávamos, neste mesmo espaço, o reaparecimento de uma instituição que parecia afastada da História, nestes anos de neoliberalismo: a cidadania.
 
Ainda que os ensaios de mobilização não tenham levado às conseqüências radicais, os cidadãos começam a mover-se, a ocupar as ruas do mundo, a clamar por justiça. E é o que pode vir a ocorrer entre nós. É hora de identificar os homens públicos realmente honrados e os que posam de honrados, como os fariseus do Evangelho.

Se há órgãos de imprensa mancomunados com o corruptor goiano, que sejam conhecidos. Nesse caso, mais do que o rigor da lei, se a lei lhes puder ser aplicada, pesará o juízo da opinião pública. À imprensa cabe, nas democracias, a desagradável tarefa de fiscalizar as instituições políticas, a serviço da cidadania.
 
Será muito grave se se descobrir que esse ou aquele jornalista tenha agido como o Senador Demóstenes Torres parece ter atuado: em público, ao posar Catão usticense; nas sombras, recebendo ordens, como obediente assalariado do contraventor goiano.

Tratemos de outra consternação diante da atualidade. O Sr. Murillo Portugal – um desses tecnocratas que trabalhavam para o Estado e depois atravessaram a rua para servir ao outro lado – foi emissário das queixas dos banqueiros ao governo.
 
Os bancos se recusam a baixar a diferença entre as taxas de captação e as dos empréstimos que cobram dos seus devedores – das mais altas do mundo - sem que recebam compensações. Os cinqüenta bilhões de lucros obtidos – com inadimplência ou sem ela – lhes parecem pouco.
 
Assim, ainda pedem isenções de tributos – e cobram 300 milhões de reais da Receita pelo recolhimento de impostos em suas caixas eletrônicas. Se continuarem assim, é provável que a estatização dos bancos se faça de maneira suave: seus clientes acabarão preferindo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Marco Maia detona a revista Veja

Deputado Federal Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados:

Tendo em vista a publicação, na edição desta semana, de mais uma matéria opinativa por parte da revista Veja do Grupo Abril, desferindo um novo ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa, sinto-me no dever de prestar os esclarecimentos a seguir em respeito aos cidadãos brasileiros, em especial aos leitores da referida revista e aos meus eleitores:


- a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;

- não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como "Mensalão";

- também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem;

- vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos;

- afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco "todos") os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!;

- o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas;

- não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa.

Deputado Marco Maia,
Presidente da Câmara dos Deputados
Em 15 de abril de 2012


PMDB terá direito a indicar cinco dos 15 membros do Senado na CPMI do Cachoeira


Agência Brasil

A Secretaria-Geral da Mesa do Senado entregou nesta quinta-feira (12/4) ao presidente da Casa e do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP), o levantamento sobre como ficará a composição da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investigará as relações do empresário de jogos ilegais Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados.

As indicações dos membros que irão compor a parte do Senado na CPMI do Cachoeira, como a comissão está sendo chamada no Congresso, serão divididas de acordo com os blocos formados pelos diversos partidos políticos, segundo as informações da Secretaria-Geral da Mesa. 

Dessa forma, caberão ao bloco de apoio ao governo – que inclui PT, PCdoB, PSB, PDT e PRB – cinco indicações de membros titulares. Ao bloco da maioria – composto exclusivamente pelo PMDB – caberão mais cinco indicações de membros. Ao bloco da minoria, formado no Senado por PSDB e DEM, serão destinadas três vagas. O novo bloco União e Força, formado por PR, PSC e PTB, terá direito a duas vagas.

Com essa divisão serão preenchidas as 15 vagas do Senado na comissão mista. Além delas, de acordo com a secretaria, haverá uma vaga extra para garantir espaço aos partidos que não fazem parte de blocos e, portanto, não alcançam o critério da proporcionalidade. Nesse caso, essa vaga deverá ser dividida entre PSOL, PP, PV e PSD.

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já adiantou que o partido fará indicações internas para todas as vagas a que terá direito e não pretende ceder para outras legendas. “Somos 21 senadores. Se tivemos 15 membros [do Senado na CPMI], o PMDB irá indicar cinco membros. Não teremos dificuldade porque a bancada é grande”, declarou Renan após reunião com o presidente Sarney e o líder do governo na Casa, Eduardo Braga (PMDB-AM).

O PSDB vem reivindicando que a minoria tenha mais espaço e, dessa forma, fique com a presidência ou a relatoria da CPMI do Cachoeira. O líder peemedebista, no entanto, já dá sinais de que não pretende abrir mão do espaço que couber ao seu partido. “Politicamente é legítimo [o desejo do PSDB], mas nós temos que seguir o regimento”, declarou.

Apesar disso, ainda não há definições sobre qual partido indicará o presidente da CPMI e qual indicará o relator. Os senadores precisam ainda esperar as indicações dos 16 deputados que irão compor a parte da Câmara na comissão e que também deverão entrar na briga para ocupar um desses dois cargos.

A CPMI depende ainda da coleta de assinaturas nas duas casas para ser instalada. O compromisso do líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), com o presidente Sarney é entregar o requerimento com as 171 assinaturas de deputados e 27 assinaturas de senadores na próxima terça-feira (17).

As negociações sobre a divisão de cargos e de membros da comissão, segundo Sarney, não serão conduzida por ele.

“Minha função de presidente é apenas receber [o requerimento da] comissão, ler [em plenário], mandar verificar as assinaturas de acordo com o Regimento Comum do Congresso Nacional. A respeito de composição da comissão, como ela deve ser feita, é de exclusiva competência dos líderes”, declarou hoje após a reunião.

A CPMI do Cachoeira irá investigar todas as denúncias decorrentes das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que trataram da máfia dos jogos ilegais no Brasil. O empresário Carlinhos Cachoeira foi preso em fevereiro e desde então vazaram para a imprensa diversas gravações telefônicas dele e de outros membros de sua quadrilha com autoridades e funcionários públicas.


As denúncias atingiram principalmente o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que foi flagrado pedindo dinheiro e fazendo tráfico de influência, e funcionários próximos aos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz e de Goiás, Marconi Perillo. Além disso, cinco deputados federais são citados nas conversas.

Lewandowski considera legais escutas que revelam ligação de Demóstenes com Cachoeira

 

Agência Brasil


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski considerou provas legais as escutas telefônicas feitas pela PF (Polícia Federal), com autorização da Justiça, de conversas entre o empresário goiano Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Nesta sexta-feira (13/4), o ministro negou a liminar pedida pela defesa do parlamentar, que pretendia desconsiderar as gravações como provas válidas contra o senador, detentor de foro privilegiado.

Demóstenes Torres é acusado de tráfico de influência para favorecer o empresário. A relação entre o parlamentar e Carlinhos Cachoeira começou a ser divulgada pela imprensa depois que a Operação Monte Carlo, da PF, levou Cachoeira e mais 34 pessoas para a cadeia, no final de fevereiro.

O vazamento para a imprensa das conversas telefônicas colhidas pela PF mostrou que, além de conhecer a atuação de Cachoeira com o jogo ilegal, Demóstenes também participava do esquema do contraventor.

O senador foi flagrado em conversas nas quais combina interferir em assuntos ligados ao lobby pela legalização do jogo no Brasil em troca de favores de Cachoeira.

O ministro Ricardo Lewandowski, que é relator do processo, também pediu informações sobre o caso aos juizes da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, e da Vara Única da Subseção Judiciária de Anápolis, que autorizaram as escutas telefônicas.

O ministro determinou ainda que os autos do processo sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República. Na semana passada, o STF autorizou a abertura de inquérito para investigar a participação de Demóstenes Torres no esquema de Carlinhos Cachoeira.

Lewandowski determinou a quebra do sigilo bancário do senador e pediu levantamento das emendas parlamentares apresentadas pelo político goiano.

Ministra do STJ se declara impedida de julgar habeas corpus de Carlinhos Cachoeira

Agência Brasil 

A ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Laurita Vaz se declarou impedida de julgar o habeas corpus de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso desde fevereiro por explorar o jogo ilegal em Goiás.

A ministra justificou o impedimento por ser goiana e ter tido contato social ou profissional com autoridades públicas que supostamente estão envolvidas com Cachoeira.

“Sou oriunda do estado de Goiás, onde exerci cargos direta ou indiretamente relacionados a instituições locais.

Tendo em conta a denunciada abrangência de sua suposta atuação [de Carlinhos Cachoeira] no estado, com o pretenso envolvimento de várias autoridades públicas, com as quais, algumas delas, tive algum tipo de contato social ou profissional, ao meu sentir, é prudente declarar minha suspeição, a fim de preservar a incolumidade do processo penal”, diz o despacho da última terça-feira (10/4) da ministra.

Com a decisão de Laurita Vaz, o processo será analisado pelo ministro Gilson Dipp. Na última segunda (9/4), a defesa de Carlinhos Cachoeira entrou com um pedido de habeas corpus no STJ.

Cachoeira foi preso em fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, da PF (Polícia Federal), que investiga um esquema de exploração ilegal de jogos de azar em Goiás.

Gravações feitas pela PF mostram diálogos de alguns parlamentares de Goiás com Cachoeira ou pessoas ligadas a ele.

O parlamentar mais atingido pelas denúncias é senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de tráfico de influência em favor de Cachoeira.

Também foram reveladas conversas da então chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro, com Cachoeira.

Ela deixou o cargo e, desde então, surgiu a suspeita de que Perillo também pudesse estar envolvido no esquema de jogos ilegais no estado.

Advogado de Demóstenes Torres pede suspensão do inquérito que tramita no STF


O advogado do senador Demóstenes Torres, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, ajuizou Reclamação (RCL 13593) no STF (Supremo Tribunal Federal) em que pede para suspender o Inquérito que tramita na Corte contra o parlamentar.

Na reclamação, o advogado diz que ao processarem interceptações telefônicas, o juiz federal da Seção Judiciária de Goiás e o juiz federal da Subseção Judiciária de Anápolis (GO) teriam usurpado a competência do STF (Supremo Tribunal Federal), uma vez que, de modo velado, promoveram a investigação de parlamentes sem, todavia, chamá-los formalmente de investigados.

O advogado de Demóstenes pede que a Suprema Corte declare a ilicitude das gravações telefônicas que tenham mencionado o senador, e o impedimento de sua utilização contra Demóstenes Torres. Em consequência, pede o trancamento do Inquérito contra o parlamentar.

A ação foi distribuída para o ministro Ricardo Lewandowski, relator do Inquérito 3430.

Mídia já cita relação Veja/Cachoeira


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Está caindo a ficha da grande mídia demo-tucana quanto ao potencial explosivo da vindoura Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará as relações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e empresas privadas, sem prejuízo de suas relações com o governo de Goiás e, sobretudo, com órgãos de imprensa ligados ao PSDB e ao DEM, como a revista Veja. Essa tomada de consciência transparece em denúncias fracas que essa mídia está fazendo ao PT.

A tentativa da grande mídia de envolver também o PT em um escândalo que atinge em cheio dois expoentes da oposição – o senador Demóstenes Torres, do DEM (agora desfiliado), e o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo – é absolutamente frágil e busca, apenas, tentar induzir a sociedade à crença de que o partido do governo estaria envolvido com um criminoso que, agora se sabe, é responsável pelas maiores denúncias contra petistas durante a década passada.

As denúncias da mídia contra o PT em nada se comparam ao envolvimento de Perillo com Cachoeira, que transparece em dezenas de nomeações e contratos com o governo de Goiás.

Está sendo usada gravação da Polícia Federal, feita no ano passado, na qual Claudio Abreu, à época diretor da empreiteira Delta, aparece conversando com o araponga Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos braços-direitos do bicheiro, sobre tentativa de suborno de Claudio Monteiro, chefe de gabinete do governador de Brasília, Agnelo Queiróz (PT), para que facilite manutenção de contrato de limpeza urbana firmado pelo governo anterior, do demo José Roberto Arruda.

Além disso, também está sendo difundida, com grande destaque, menção da quadrilha de Cachoeira ao subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais do governo Dilma, Olavo Noleto.

Contudo, as acusações são tão frágeis que a Polícia Federal não indiciou nenhuma dessas pessoas. A exposição desproporcional dessas escutas que a mídia pretende que atinjam ao PT visa apenas ludibriar a sociedade, fazendo-a pensar que o escândalo em questão seria “suprapartidário”, o que é um absurdo porque escutas da PF mostram que o bicheiro Carlinhos Cachoeira esteve por trás de grande parte das acusações da Veja ao PT.

O ataque da mídia tucana ao PT se torna ainda mais absurdo quando se nota que uma das informações mais estarrecedoras oriunda das escutas da PF, a que versa sobre o envolvimento da Veja com Cachoeira, até agora não havia sido divulgada por nenhum desses grandes meios de comunicação.

Todavia, isso mudou nesta quarta-feira (11/04). A Folha publicou “análise” de seu colunista Fernando Rodrigues em que, ao acusar o PT de “ira mal-resolvida” contra PSDB e DEM por suas condutas durante o escândalo do mensalão, acaba citando um caso que a mídia terá que divulgar, pois o deputado federal do PT de Pernambuco Fernando Ferro já avisou que fará requerimento à CPI pedindo convocação – não será convite, mas convocação – de Roberto Civita, dono da editora Abril, que edita a Veja.

Fernando Rodrigues distorce os fatos na página A7 da Folha de São Paulo de quarta-feira 11 de abril ao dizer que “(…) Os governistas vislumbram a possibilidade de usar a CPI do Cachoeira para constranger jornalistas que usaram as informações do empresário na apuração de reportagens (…)”.

Na verdade, as gravações mostram o bicheiro confraternizando com o editor da Veja Policarpo Jr. por ataques que a revista fizera ao governador petista de Brasília, Agnelo Queiróz. Em outro ponto, as escutas mostram membros da quadrilha afirmando que praticamente todas as matérias da Veja contra o PT partiram de seu chefe, Cachoeira. Há centenas de telefonemas trocados entre Policarpo e Cachoeira que mostram relação íntima entre o bicheiro e a revista.

Até aqui, não há nada minimamente comparável entre petistas e Cachoeira ao que há envolvendo a oposição. Podem até surgir relações do bicheiro com alguém da base aliada, mas o forte empenho do PT, de Lula e do governo Dilma para que a CPI seja instalada mostram que o governismo está disposto a finalmente escancarar a espantosa promiscuidade da mídia demo-tucana e da oposição com o crime organizado.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Fascista Bolsonaro devia ser preso

 
Por Altamiro Borges

O fascistóide Jair Bolsonaro (PP-RJ) adora provocar. Mas desta vez ele pode ter se exagerado, o que finalmente possibilitaria a sua punição por quebra de decoro parlamentar. Segundo a Agência Brasil, nesta quarta-feira (4), o deputado tentou impedir a realização da primeira audiência da subcomissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e ainda ofendeu um servidor do Legislativo.
Agressão e ameaças aos depoentes

Diante das agressões, deputados da Comissão de Direitos Humanos e da Subcomissão da Verdade protocolaram na presidência da Câmara representação contra o parlamentar, que é oficial da reserva do Exército e o principal porta-voz dos saudosos da ditadura militar. Para o deputado Domingos Dutra (PT-MA), presidente da comissão, Jair Bolsonaro abusou das suas prerrogativas:

“O deputado Bolsonaro, que está acostumado a agredir as pessoas e tentar obstruir os trabalhos do Legislativo e, apesar de não fazer parte da subcomissão, tentou obstruir a sessão. Agrediu um servidor, o secretário Marcio Araujo, ameaçou os depoentes, tentou paralisar as atividades da comissão. Como não conseguiu, ele ficou no corredor aos berros ameaçando todo mundo”.

Folclore para satisfazer nicho fascista

Na audiência foram ouvidos dois camponeses e dois militares que participaram da Guerrilha do Araguaia. Jair Bolsonaro, segundo Dutra, tumultuou a sessão e tirou fotos dos depoentes para tentar constrangê-los. Para o Chico Alencar (PSOL-RJ), o fascistóide não só prejudicou o trabalho da subcomissão, como atentou contra o próprio Código de Ética da Câmara Federal.

“Ele ofendeu um servidor. Isso não pode ficar apenas no folclore do Bolsonaro para satisfazer o nicho fascista dele”, argumentou o líder do PSOL. Diante do risco da punição, o deputado provocador – o valentão que sempre foge da briga – tentou se justificar. “Todos os deputados tomaram as dores do servidor. Mas não houve xingamento, mas uma discussão pesada”.

Deu com os burros n'água

Para ele, o pedido de abertura de processo de investigação por quebra de decoro parlamentar é uma tentativa de intimidá-lo por suas críticas à Comissão da Verdade, criada pelo governo Dilma Rousseff. “Essa é uma comissão da mentira. Eles estão revoltados porque eu falei que vou participar de toda e qualquer sessão da comissão que for dentro da Câmara. Eles querem que eu não adentre a subcomissão, mas se essa for a intenção deles, vão dar com os burros n'água”, provocou Bolsonaro.

O pedido de punição do deputado fascista foi entregue ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Ele deverá encaminhá-lo à Corregedoria da Casa. O corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), terá prazo de 45 dias para apresentar parecer sobre o caso. Caso considere que houve quebra de decoro, ele enviará o documento à Comissão de Ética para abertura de processo, que pode resultar na cassação de Bolsonaro. Mas o fascistóide não merece apenas ser cassado. Ele devia estar preso!

Cachoeira é um tsunami na oposição

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Agora há pouco, no site da Carta Capital, a revista que, além de desaparecer em Goiânia comprada por um grupo misterioso, ia ser processada pelo governo de Goiás, por ligar o Governo Marconi Perillo ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, fonte assídua da Veja, “para limpar o Brasil”:*****

Não adiantou negar, espernear, ameaçar processo. Nesta quarta-feira 4, a revelação de que as falcatruas do bicheiro Carlinhos Cachoeira tinha tentáculos no governo de Goiás produziu a primeira baixa na equipe de Marconi Perillo (PSDB).


No centro das suspeitas, a chefe de gabinete do governador, Eliane Gonçalves Pinheiro, pediu exoneração após a revelação de que era citada nas interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na esteira da Operação Monte Carlo.


Conforme mostrou a reportagem de Leandro Fortes na última edição de CartaCapital, Eliane chegou ao cargo no início do ano passado, depois das eleições de 2010, quando foi responsável pela articulação do tucano para que prefeitos do PP aderissem à campanha do PSDB ao governo estadual.


Segundo as investigações, a filha de um dos padrinhos políticos de Eliane é casada com um irmão de Cachoeira, que comandou o esquema do jogo do bicho e outras irregularidades em Goiás. Ele foi preso pela PF na operação.

Eliane é suspeita de acionar políticos aliados sobre operações policiais na região. As mensagens eram trocadas com o bicheiro, de acordo com outra reportagem, publicada nesta quarta-feira pela Folha de S.Paulo.

Ciente da encrenca em que está metido, Perillo já havia decidido mexer em sua equipe para apagar os rastros de Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), também implicado no esquema. Assim, a chefe de gabinete de Perillo deveria deixar o cargo, conforme noticiou CartaCapital na semana passada, sob a improvável promessa de mudar de função.

Os arquivos e grampos de Cachoeira são um tsunami.

Perillo, convém lembrar, é a “boa alma” que disse ter ido avisar Lula sobre o “mensalão”, após a gravação da propina nos Correios que, agora se sabe, foi mandada fazer por Carlinhos Cachoeira.

Os descalabros tucanos em São Paulo

Por José Dirceu, em seu blog:

Tucano quando não consegue administrar os problemas da cidade e do Estado improvisa sai pela tangente, quase sempre com a pior e mais errada das saídas. Com o dia santo da Sexta-Feira da Paixão, o sábado de Aleluia e o domingo de Páscoa organizei para vocês uma série de descalabros cometidos ou anunciados pelos tucanos só nestes três últimos dias.

Sinto, mas em apenas três dias os peessedebistas foram capazes de perpetrar, praticar, ou anunciar esse amontoado de barbaridades. Como não conseguem despoluir o rio Pinheiros, os tucanos agora o perfumarão. É verdade: matéria publicada ontem pela Folha de S.Paulo diz que a meta do governo Geraldo Alckmin, agora, "é acabar com o cheiro de ovo podre do rio, cartão postal às avessas da cidade".

Num ponto o jornal tem razão: o mau cheiro do Pinheiros realmente chega à marginal Pinheiros, à linha de trem e à ciclovia que beiram o rio, incomoda quem trabalha e vive na vizinhança. E principalmente incomoda o mercado imobiliário e o shopping Cidade Jardim.

Falta policiamento nas estradas, aeroportos superlotados

Ontem, final de feriado prolongado, quem voltou do interior não viu policiamento nas estradas. Nem recebeu orientação alguma. Parecia que elas nem foram privatizadas, vendidas pelo tucanato para quem ofereceu maior preço - e cobra mais alto pedágio - e que não tem órgão nenhum para sequer fiscalizar os serviço prestado pelas concessionárias.

Não fossem as emissoras de rádio e a comunicação via celular de cada cidadão, todos estariam às escuras no congestionamento gigantesco, mais do que previsto no final do feriado prolongado. Chega-se em casa e se lê que os aeroportos do interior de São Paulo estão um descalabro só.

Não há lugar para todos nos salões de embarque e os passageiros ficam pelos corredores; do lado de fora falta estacionamento e sobram carros; não há táxis autorizados, os viajantes têm de se socorrer dos clandestinos que, em algumas cidades, já invadiram e institucionalizaram-se na área dos autorizados. Verdadeiros caos - estes sim, os verdadeiros apagões.

José Serra não fez o dever de casa

E o ex-governador José Serra que criticava o governo federal, quis fazer dos tais apagões dos aeroportos federais uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial derrotada de 2010? E o governador Geraldo Alckmin que está aí há um ano meio e não solucionou nada disso? E é a 3ª vez que Geraldinho é governador!

E esta, agora, de nomear presidente do metrô de São Paulo, o maior do país, por um dia? É o que aconteceu. Um dia após anunciar um presidente novo para a companhia, José Kalil Neto, em substituição a Sérgio Avelleda (derrubado discretamente depois de acusado de ter patrocinado concorrência de cartas marcadas para uma linha do metrô) o governador Alckmin voltou atrás. Descobriu-se que Kalil foi condenado por improbidade administrativa em 2010.

O governador veio a público e ficou o dito pelo não dito. Explicou que anunciara Kalil como interino, mas que vai escolher outro presidente efetivo para o metrô. Enquanto isso, o metrô vai sendo sucateado e mantém a média de uma a duas panes por semana, que paralisam ou obrigam a lentidão na circulação do sistema.

Cada uma dessas panes prejudica no mínimo 100 mil passageiros. E pior, estão ocorrendo também, até institucionalizando-se, na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), de trens de subúrbio da Grande São Paulo. Fácil, fácil selecionar, em apenas três dias, quatro decalabros. É o modo tucano de governar.

O denuncismo some da capa da Veja

 



Por José Augusto, no blog Os amigos do presidente Lula:

Desde que Carlinhos Cachoeira foi preso, no dia 29 de fevereiro de 2012, na operação Monte Carlo da Polícia Federal, a revista Veja já soltou 6 edições, e nenhuma capa é dedicada a denúncias de corrupção.

Mas há uma pauta abundante neste período envolvendo o senador Demóstenes Torres e o governador Marconi Perillo, tratada, sobretudo, pela revista Carta Capital, mas não só por ela. Até o Jornal Nacional tem se dedicado ao tema.

Parece que a revista Veja ficou acéfala no que entende ser "jornalismo investigativo", depois da prisão de Cachoeira e dos arapongas Jairo Martins e Dadá.

Mais do que acéfala, está dando uma enorme bandeira de que tem muito a esconder sobre as relações entre seu editor-chefe Policarpo Júnior e Carlinhos Cachoeira. Segundo Luis Nassif, Policarpo teria trocado em torno de 200 telefonemas com Cachoeira no período investigado.

A revista já admitiu, defensivamente, que Policarpo e Cachoeira trocavam figurinhas. A revista diz que seriam relações legítimas entre jornalista e fonte. Mas como explicar a notória má vontade da revista em noticiar o caso, tendo um jornalista tão íntimo com os intestinos da organização criminosa (segundo o Ministério Público)?

A revista Veja, pródiga em divulgar até grampos ilegais, não revela um único diálogo entre o bicheiro e seu editor-chefe.

Nos EUA, Dilma critica protecionismo

 

Por Renata Giraldi, na CartaCapital:




Em defesa da ampliação dos mercados externos para o Brasil e os países emergentes, a presidenta Dilma Rousseff condenou na segunda-feira 9, em Washington, nos Estados Unidos, o protecionismo internacional, adotado principalmente pelas nações desenvolvidas, que impõe restrições às exportações. “O governo repudia toda e qualquer forma de protecionismo, inclusive o cambial”, disse ela.

Dilma chamou a valorização de moedas de “doença holandesa” e classificou a alta do petróleo como prejudicial porque despreza as necessidades de populações pobres em benefício de pequenos grupos econômicos. Ela discursou durante encontro com empresários norte-americanos e brasileiros, além de representantes de universidades, na noite de ontem.

A exemplo do que ocorreu no mês passado, na Índia, a presidenta reiterou que o combate aos efeitos da crise econômica internacional não deve se basear apenas em medidas de políticas de expansão fiscal e regressão de direitos sociais dos trabalhadores. Segundo ela, é fundamental implementar ações que estimulem o crescimento da economia com distribuição de renda e inclusão social.

“[O cenário econômico mundial] gera motivos de inquietação [em todos]. Nenhum país está imune”, disse a presidenta, lembrando que o assunto será debatido durante a Conferência Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Segundo ela, os líderes mundiais devem enfrentar os novos paradigmas do século: “[Trabalhar pelo] crescimento econômico com inclusão social e preservando o meio ambiente”.

Dilma conclui nesta terça-feira 10 a visita de dois dias aos Estados Unidos, com palestras em Boston, nas universidades de Massachusetts e Harvard. As duas instituições têm mulheres no comando. A presidenta aproveitará a oportunidade para assinar acordos inseridos no programa Ciência sem Fronteiras – que pretende enviar 100 mil pesquisadores brasileiros para o exterior até 2014, a maioria para instituições norte-americanas.

Brasil País Abençoado



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Coordenadores da campanha de Serra descobrem que ele não fez nada quando foi prefeito


Os coordenadores de campanha de José Serra começaram a traçar uma estratégia para reduzir a rejeição do tucano, e entraram numa sinuca de bico. Descobriram que Serra não fez nada quando foi prefeito, em 2004.

Olha o que saiu no Poder on-line:

Ainda que seja uma corrida municipal, o PSDB trabalhará para mostrar no horário eleitoral os trabalhos realizados por Serra quando era governador do estado, mas que tenham tido reflexos na capital.
 
Mesmo realizações de Geraldo Alckmin em convênios com o município podem ganhar destaque, na linha de vender os benefícios de uma parceria da cidade com o correligionário governador.
 
O tucano ficou 15 meses na prefeitura sem fazer nada, a não ser escândalos de corrupção e privataria tucana, como trocar merendeiras pela máfia da merenda escolar.
Além de não fazer nada, ainda desmontou ou reduziu vários programas e projetos deixados pela gestão anterior de Marta Suplicy. Seu único legado é ter deixado o vice Kassab de herança, o que complica mais ainda por dois motivos:
1. A gestão de Kassab também não tem um legado vistoso para deixar e não está bem avaliada. O desejo do paulistano é de mudança, com os gargalos no trânsito, as enchentes e falta de programas estruturais de moradia, transportes, educação e saúde.
2. Falar em ter abandonado o cargo e passado a prefeitura para Kassab, reforça a lembrança da promessa assinada e descumprida de não renunciar para se candidatar a outro cargo, gesto que 10 entre 10 paulistanos acreditam que Serra poderia perfeitamente repetir em 2014.
A “solução” será repetir mais do mesmo já visto em 2010: falar do Rodoanel do Paulo Preto (uma obra estadual com apoio e recursos federais), dos genéricos “Cachoeira” (cujo pai do programa foi de fato Jamil Haddad) ... e ... e ... do que mais? Ahhh! Quem sabe das ambulâncias sanguessugas dos irmãos Vedoin. Isso foi criação genuinamente do Serra.
Até falar em Metrô está complicado, depois do irmão do ex-presidente do Metrô na gestão Serra ter contas bloqueadas na Suíça devido ao escândalo das propinas da Alstom e depois do rombo de R$272 milhões nos cofres públicos, denunciado pelo Ministério Público, devido a licitações combinadas.

Presidente do PSDB diz que partido confia em Marconi Perillo

 

 
Agência Brasil
“O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse nesta quarta-feira que o partido confia no governador de Goiás, Marconi Perillo, no que se refere ao possível envolvimento dele com o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Depois do vazamento para a imprensa de conversas da chefe de gabinete de Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro, com Cachoeira, surgiu a suspeita de que o governador goiano também pudesse estar envolvido no esquema de jogos ilegais no Estado. Mas, para o presidente do PSDB, os vazamentos têm sido "seletivos" e sempre voltados para a oposição.
"O partido não enxerga muita coisa, uma funcionária está envolvida nessas fitas gravadas. Nós estranhamos que essas fitas sejam seletivas, sempre voltadas para a oposição. A gente tem muita calma. O que houver para investigar, vamos investigar. O que houver para esclarecer, vamos pedir esclarecimentos. Reiteramos, de maneira muito tranquila, a confiança no governador de Goiás", disse Sérgio Guerra a jornalistas em Brasília.
Guerra também elogiou a postura do tradicional aliado político do PSDB, o Democratas, que ameaçou expulsar o senador Demóstenes Torres (GO) em função dos constantes vazamentos de conversas dele com Cachoeira. Guerra disse que, se for o caso, o PSDB apoiará a proposta do DEM de instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias sobre o bicheiro e o envolvimento dele com outros parlamentares."

FHC ataca corrupção e protege Perillo

 
Por Altamiro Borges


Em artigo no Estadão no domingo (1), FHC voltou a tagarelar sobre corrupção. O ex-presidente devia ser mais cauteloso com os seus textos – certo que depois ele pode pedir para esquecê-los. Nem bem o artigo foi publicado e surgiram novos indícios sobre as ligações do governador tucano Marconi Perillo com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.


No texto intitulado “Crime sem castigo”, o sociólogo defende a tese de que a corrupção aproximou-se do seu “limiar” nos últimos anos – logicamente depois do seu reinado “ético”. Para FHC, “dia chegará – se não houver reação – em que a corrupção passará a ser condição de governabilidade, como ocorre nos chamados narcoestados”.

A "cultura de tolerância"

FHC até cita, em tom de tristeza, o “clamoroso caso que afeta o Senado”, sem mencionar o nome de Demóstenes Torres, o ex-líder do DEM – talvez porque este partido tenha sido o principal aliado de seu governo, inclusive ocupando a vice-presidência da República. Ao final, o ex-presidente critica a “cultura de tolerância” com os corruptos.

Ele poderia aproveitar o artigo para fazer uma autocrítica sincera do seu governo, quando surgiram inúmeros indícios de corrupção – como na compra de deputados na votação da emenda da reeleição ou no processo da privataria das estatais. Na ocasião, a “cultura da tolerância” contou com a inestimável ajuda da mídia demotucana.

A chefe de gabinete do tucano

Mais ainda: ele poderia aproveitar o artigo para questionar a prática de alguns de seus pares tucanos. Desde o início do escândalo Demóstenes/Cachoeira surgiram indícios do envolvimento no esquema do governador Marconi Perillo (PSDB-GO). Mas FHC, no seu “farisaísmo” – tão criticado no artigo –, preferiu se fingir de morto.

Passados três dias, a própria mídia foi forçada a falar sobre o esquema de corrupção envolvendo o governador tucano. Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete de Marconi Perillo, foi flagrada em escutas gravadas pela Polícia Federal negociando com o mafioso Carlinhos Cachoeira. Ela inclusive já pediu demissão do cargo, mas o fedor permanece.

Quem é "o maior"?

“Segundo relatório da Operação Monte Carlo, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior para poder falar com o contraventor”, relatam Chico Góis e Jaílton de Carvalho no jornal O Globo de hoje (4).

Num dos trechos das escutas com autorização judicial, o mafioso pergunta à chefe de gabinete de Marconi Perillo se ela falou “pro maior” (sic). Eliane responde que sim e acrescenta: “Estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava”. Quem seria “o maior”? O governador nega que seja ele, mas pouca gente acredita – talvez só FHC, o “puro”.

Álvaro Dias socorre governador tucano

 
 
Por Altamiro Borges

O líder do PSDB no Senado, o paranaense Álvaro Dias, está histérico. A denúncia de que o mafioso Carlinhos Cachoeira mantinha contato direto com o gabinete de Marconi Perillo (PSDB-GO) alvoroçou o ninho tucano. Nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, a principal assessora do governador surge traficando informações com o bicheiro e diz que “o maior” sabe de tudo. Quem será "o maior"?
As denúncias podem resultar no pedido de impeachment de Perillo, que nega qualquer relação com Cachoeira. “Eu falei com ele uma única vez, para cumprimentá-lo pelo seu aniversário”, alegou o tucano. “Observador incauto poderia indagar: cumprimento de governador a contraventor é coisa que os bons costumes recomendam?”, ironiza Josias de Souza, blogueiro da Folha.

A "consciência tranquila" dos tucanos

Apesar dos indícios, o senador Álvaro Dias garante que o PSDB “confia” no governador de Goiás. Para ele, “o partido não enxerga muita coisa” na relação entre Perillo e o mafioso Cachoeira – que já detonou o demo Demóstenes Torres. Ele preferiu atacar Eliane Pinheiro, chefe de gabinete do tucano, que surge nos grampos. E, irritado, ainda criticou o rumo das investigações da Polícia Federal.

“Nós estranhamos que essas fitas sejam seletivas, sempre voltadas para a oposição”, disse o líder tucano, tão acostumado com as denúncias contra o governo petista. Já o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, defendeu o DEM, um apêndice bichado dos tucanos, que “já mandou o Demóstenes para casa”. Ele garantiu que a oposição demotucana “está com a consciência tranquila”. Será? Não parece!